Nas vésperas de terminar o ano de 2009, é chegada a altura de as famílias portuguesas com crédito à habitação pegarem na calculadora. E nem tudo é negativo. Por um lado, as descidas sucessivas da taxa de juro directora do Banco Central Europeu (BCE), tal como a rota descendente das Euribor, permitiram-lhes poupar na prestação da casa. Por outro, a verdade é que os bancos confessam que apertaram os critérios de concessão de empréstimos, aumentando os ?spreads´ e encurtando os prazos dos créditos. No entanto, dados do BCE mostram que os juros cobrados pelas instituições bancárias nacionais nos empréstimos à habitação estão muito abaixo da média da Zona Euro. E ainda mais positivo, para as famílias portuguesas, é o facto de em Outubro - últimos dados disponibilizados pela autoridade monetária - as taxas de juro médias praticadas em Portugal serem mesmo as mais baixas da Zona Euro.
A taxa de juro média praticada pelos bancos portugueses nos empréstimos para a compra de casa aplicada em Outubro fixou-se em 2,16%. Este é não só o valor mais baixo alguma vez cobrado em Portugal como também o menor no conjunto dos 16 países da área do euro, o que ocorre pela primeira vez, pelo menos, nos últimos sete anos. Isto porque o BCE só reúne estes indicadores desde o final de 2002. Uma das possíveis razões para esta tendência é o facto de no resto da Europa haver maior incidência de créditos de taxa fixa, o que os impede de oscilarem tanto, nas subidas e nas descidas. Uma característica confirmada pelo presidente da Sefin, António Júlio de Almeida: "Talvez por razões culturais, a prática da taxa fixa em Portugal seja muito inferior à da maioria dos mercados europeus". Por outro lado, e uma vez que a taxa de juro é igual para toda a Europa, custos mais elevados poderão significar que os bancos em causa estarão a cobrar ?spreads´ mais elevados do que as instituições nacionais.
Fonte: ECONÓMICO